jornal do mazza

A Carrocinha




Promovido a laçador de cães por obra do prefeito de uma cidade do interior que quer livrar-se da cadelinha de estimação de sua esposa, o chefe da carrocinha se indispõe contra a população local e se apaixona por uma linda “caipirinha” que adora cachorros

1º rolo: Cartela – “Respeitável público: vamos contar uma história simples que poderia ter acontecido.Contudo, qualquer semelhança entre seus cães e homens com personagens reais será mera coincidência. Começa num domingo, depois que o Sr. Prefeito da pacífica Sapiranga teve uma idéia maquiavélica…”. O prefeito, Sr. Juca Miranda, cansado das paparicações da esposa a favor de sua cadelinha de estimação, tem uma brilhante idéia, logo ao levantar-se, que de imediato divulga em praça pública, sob intensa ovação popular, ao lado do padre e políticos locais (letreiros de apresentação sobrepostos): uma carrocinha de cachorros para servir à municipalidade. Jacinto, o encarregado do serviço, coloca em marcha o veículo, acompanhado de afinada banda musical. O serviço começa de vento em popa: um cachorro vadio na praça pública é recolhido por Jacinto que, emocionado, cai de amores pelo animal a quem leva para sua humilde casa sob o desagrado da mãe viúva, Dona Clotilde, e o entusiasmo do irmão pequeno. (277 m)

2º rolo: Acompanhado do irmão, reinicia o trabalho. O dono do boteco reclama que um cachorro na praça lhe pertence e que por isso não pode ser levado. Chamado ao escritório do prefeito, dele ouve que a piedade não pode influenciar seu trabalho. Imbuído do dever, Jacinto carrega o cão do dono do boteco, não aceitando protesto. A catança geral tem início e a população, avisada por um “caipira” (Tatu?), começa a ficar irritada. Até o padre entra na perseguição enquanto Jacinto rigorosamente laça qualquer cachorro que surge em seu caminho. Uma mulher reclama, seu filho chora e Jacinto, acuado pelos moradores e pelo discurso do padre, vai soltando um a um os cães capturados. Na continuação do serviço, tenta laçar mais um, mas uma criançada auxilia a fuga do cão. (298 m)

3º rolo: O prefeito, aproveitando a passagem de Jacinto por seu escritório, força-o sutilmente a capturar a cadelinha de sua esposa. Jacinto e o irmão a perseguem pelo campo e por um rochedo, terminando por laçar uma onça de quem conseguem escapar. A mulher do prefeito chora pela fuga enquanto o marido a consola. Sob o seu desagrado, contudo, o caipira devolve a cadelinha sã e salva. Chamado ao escritório, Jacinto recebe admoestações do prefeito sobre a sua ineficácia. A mulher do prefeito passeia a charrete com um compadre. Jacinto, na rua, não sabe o que fazer: captura ou não captura os cachorros. O prefeito dá novas ordens: levar uma turma da escola para a festa da água (?). Procurando o passarinho da professora que escapava da gaiola em meio do caminho, Jacinto encontra Ermelinda, a Linda, que canta ao lado de seu cachorro. (225 m)

4º rolo: Salvador Pereira, o pai da moça, a qual cativa Jacinto logo de cara, presenteia-o com um passarinho de sua coleção. A carrocinha, com o passar do tempo, perde sua função e vira transportadora de móveis, porcos e bugigangas. Transportando uma imagem de Santo Antonio, conforme pedido do padre, a carrocinha atola numa estrada enlameada pela tempestade. Jacinto pede auxílio no sítio de “Seu” Salvador que, prestimoso, o acolhe em sua sala. Tímidos ambos, Jacinto e Linda flertam-se quase involuntariamente. Salvador interrompe o idílio chamando Jacinto para desatolar a camionete. (226 m)

5º rolo: No empurra-empurra, Jacinto declara seu amor a Linda. Ao final da missa de domingo, “Seu” Lisboa puxa conversa que se estende à casa de Jacinto que é nomeado “chefe da torcida” do clube futebolístico local. A emoção é constrangedora e um brinde comemora a alta designação. A torcida do clube Brioso, comandada por Jacinto, incentiva a partida fazendo com que o time vença sem dificuldades. À noite, na sede do clube, comemorando a vitória, Jacinto canta (“Cai sereno”) enquanto os casais dançam. No dia seguinte, seguindo sugestão da mãe, Jacinto resolve pedir Linda em casamento. Contentíssima, ela chama o pai que está no quintal da casa. (254 m)

6º rolo: Meio sem jeito, Jacinto pede a moça em casamento. O pai não entende bem a proposta, persegue o pretendente com tiros de espingarda, mas uma conversa franca, de volta à sala, resolve a situação e estipula as despesas de casamento. Jacinto entrega para a mulher do prefeito a cadelinha que fora dar à luz na fazenda do compadre. O prefeito, irritado como aumento da família canina, recusa um pedido de aumento de salário pleiteado por Jacinto que, a contragosto, aceita uma proposta: voltar a laçar cachorros recebendo comissão. Assim faz, aprisionando um bando deles em um depósito da prefeitura. (270 m)

7º rolo: O prefeito, contudo, vai além em sua proposta: Jacinto só receberá a comissão se matar os cachorros. Ele, porém, está malquisto na cidade: o barbeiro tosa os cabelos do irmão e os alunos da escola apedrejam a carrocinha, a esta altura já acompanhada de um guarda. O irmão e a mãe protestam mas Jacinto alega que precisa do dinheiro para o casamento. Na Câmara Municipal, o vereador Lisboa polemiza com o prefeito que decide, então, mostrar aos moradores revoltados as dependências do depósito e o magnífico tratamento, forjado para a ocasião, prestado aos cães. Finda a visita, o prefeito encarrega Jacinto do extermínio dos cães. Jacinto hesita que hesita e toma a decisão, à beira do rio, de levar todos os cachorros para o sítio de “Seu” Salvador. Linda fica exultante com os “presentes” (237 m)

8º rolo: Salvador, que não aprecia muito estes animais, acaba concordando com a vontade da filha, enquanto mói cana numa moenda. Com o estratagema, Jacinto ganhará as comissões embora, perplexo, “Seu” Salvador comece a ficar desconfiado de um complô. No dia seguinte, a cavalo, Salvador começa suas investigações. Observa inicialmente uma rodinha de moradores revoltados. O caipira, por sua vez, também desconfia do tratamento gentil de Jacinto para com os cães. Salvador, imaginando que Jacinto fosse sargento da polícia, descobre sua verdadeira profissão. No depósito, Jacinto dá por encerrada sua missão mas o prefeito exige que a cadelinha e os filhotes de sua mulher devam ser sumariamente exterminados. À noite, Jacinto conduz os cachorros para o sítio sem perceber que o caipira, introduzindo um cão a mais na carrocinha, procura maldosamente incriminá-lo. (308 m)

9º rolo: Jacinto encontra Linda chorosa e Salvador em pé de guerra. Com uma certa dificuldade, a situação se resolve pois o pai torna a aceitar a idéia de casamento. Linda, vestida de noiva, sobe na garupa do cavalo e parte, com o pai, para a cidade. A torcida do Brioso se dirige para o campo enquanto a mãe de Jacinto briga com o filho pequeno por conta dos doces da festa. No campo de futebol, sem o cachorro mascote (que o caipira jogara na carrocinha de Jacinto na noite anterior), o time do Brioso perde feio. Três ações se alternam: a mãe de Jacinto encontra a noiva na entrada da cidade, a ausência do mascote aflige a torcida e os cães deixados por Jacinto fogem do sítio em direção à cidade. (219 m)

10º rolo: A torcida, irritada, resolve tirar satisfações com Jacinto sobre a “morte” do mascote. Na igreja entra a noiva e na cidade entram os cachorros. Na praça, a torcida furiosa destrói a carrocinha. Jacinto é retirado à força da igreja. Ele tenta explicar e termina salvo pelo bando de cachorros que finalmente chega na praça para a satisfação dos moradores. O prefeito protesta contra Jacinto mas, devido à multidão ao seu redor, resolve presenteá-lo com as comissões prometidas. Linda e Jacinto recebem os cumprimentos na porta da igreja enquanto, tristonho, o caipira percebe que, sem a carrocinha não poderá aceitar o cargo de laçador que o prefeito lhe oferecera. (177 m)