sucesso e critica

Amplo sucesso no radio




Amplo sucesso no radio

 

OS AMIGOS ARRANJARAM O PROGRAMA EXPERIMENTAL E DERAM-LHE CORAGEM – “FAÇA SEMPRE ASSIM QUE ESTÁ BOM…” – NO RIO, ABAFOU, REPETIU O PROGRAMA E CONSEGUIU OUTRO CONTRATO – FINALMENTE, O GRANDE EXITO

 

Mazaropi continuou com o seu pavilhão em Santo Amaro. Não queria saber do radio, não queria saber outra coisa com a vida. Acostumara-se a trabalhar ali. Sentia-se dono de si proprio, sem se sujeitar a contratos. Era o artista completo. Mas seus amigos continuavam assedia-lo. Deveria experimentar o radio. Não custava coisa alguma. Mazaropi, porem, relutava. Os amigos, nem por isso, desistiam. Foram ao dr. Costa Lima e acertaram com ele um programa de experiencia, para ás 21,30 horas de um domingo. Depois de tudo arranjado é que levaram a novidade a Mazaropi. O artista levou um susto tremendo. Nunca havia enfrentado um microfone. Tinha medo. Não queria ir. Começaram a anima-lo. Perguntaram-lhe se ele tinha coragem de deixar os amigos em maus lençois, comprometidos, depois de conseguir uma coisa bastante difícil. Não era qualquer um que poderia conseguir aquilo.

Aos trancos e barrancos, lá se foi Mazaropi. A caminho do Sumaré, estava certo do seu fracasso.

 

ESTÁ MUITO BOM…

O primeiro programa foi um Deus nos acuda. Era necessário fazer força para evitar que as pernas tremessem tanto. Era bem mais fácil trabalhar para a platéia, pois a reação imediata o animava. Ali era outra coisa, bastante diferente. Ao terminar o horário tinha a certeza de que os amigos já haviam desistido de vez. Nunca mais viriam com aquela conversa de radio. Qual não foi sua estranheza quando, apesar de tudo, Costa Lima se aproximou e pediu-lhe que assinasse um contrato.

– Não é possível. Nem sei o que fiz.

– Não tem importancia. Faça sempre assim que está muito bom.

Estava, assim, aberto o caminho do radio. Mas Mazaropi, nem por isso abandonou o pavilhão. Continuou a trabalhar com afinco, mesmo porque o radio lhe dava somente 700 cruzeiros mensais e ele precisava pagar mais de mil só de aluguel.

Três meses depois Costa Lima conseguiu junto á diretoria da radio um contrato de três meses a 1.500 cruzeiros.

Corria, então, o mês de março de 1946.

Em agosto do mesmo ano, assinou um novo contrato, desta vez para um ano, ganhando dois mil cruzeiros mensais. A arte já lhe rendia alguma coisa. Com o radio e o pavilhão, tocava a vida para a frente. Teve quem o auxiliasse. A Sarita Campos deve uma parcela de sua projeção no cenario radiofonico, pois conseguiu grande numero de admiradores ao tomar parte em uma comedia por ela organizada.

 

NO RIO

Alguns diretores não tinham fé no novo caipira do Sumaré. Mas Costa Lima o animava sempre. Foi seu amigo de todos os instantes. Escalava-o sempre para as “Brigadas da Alegria”, no interior do Estado. O melhor viria no futuro, com a inauguração dos 50 mil KW da Radio Tupi do Rio. Ia daqui uma caravana inaugural, na qual Costa Lima incluiu Mazaropi. Chegou á Cidade Maravilhosa como um elemento não esperado, desaparecido entre tantos outros de renome. Ninguem lhe dirigia a palavra. Sentia-se isolado entre tanta gente.

A noite da inauguração era para ele, de nervosismo. Parecia ser a primeira vez… Quando chegou sua vez, lá se foi, sem muita confiança propria. Teria que encher quinze minutos de pilherias caipiras. Abafou. O publico o obrigou a voltar á cena por mais quinze minutos.

Ficou satisfeitíssimo. Mas satisfeito ainda se mostrou quando Francisco Alves o abraçou e disse-lhe:

“Vinha guiando o meu carro e tive que parar, de tanto que ria…

Á noite foram á boite “Vogue”, onde já estava mais á vontade com os colegas. Teve ali a satisfação de ouvir o sr. Carlos Rizini dizer ao dr. Carlos Monteiro que o queria para uma temporada de 6 meses na Tupi do Rio. Não deram permissão. Mazaropi já tinha todos os programas patrocinados em São Paulo.

 

MAIS SUCESSO NO RADIO

Entusiasmado com tudo, voltou para nossa capital. Encontrou Costa Lima satisfeito com o sucesso obtido pelo caipira filosofo na emissora carioca. Dias depois, Costa Lima vinha comunicar que estava autorizado a fazer um programa por semana no Rio. De então para cá, não parou mais. Correria o Brasil todo. Conseguiu uma temporada em Belo Horizonte, nas radios Guarani e Mineira. Ali fez grande sucesso. Os auditorios se apresentavam superlotados. Havia briga para entrar na estação. Certa feita, “quebraram o pau”, pois todos queriam ver Mazaropi. A Radio Patrulha precisou intervir para ajeitar a situação.

O telefone do hotel onde se achava hospedado, não parava de tocar. Era um cumprimento atrás do outro. Crescia o numero de fãs. Ali ficou trinta dias, sempre atraindo admiradores. Cada vez que volta, tudo se repete. Certa ocasião, o auditorio estava todo enfeitado de flores. Era aniversario da emissora. O povo arrancou a decoração e lançou-a contra Mazaropi.

Regressou a São Paulo e foi convidado para tomar parte em uma companhia… Era o sucesso pleno que o alcançara…