sucesso e critica

Mazzaropi – o humorista




Mazzaropi o humorista ok

A função educativa do radio – Belo Horizonte, uma grande terra  –  Sentimentalismo e filantropia – Barreto Pinto quer gozar – Entrevista na avenida.

Acaba de retornar a São Paulo o festejado e querido humorista Mazzaropi artista estimado em todo o Brasil, que vem de realizar brilhante temporada na Radio Guarani de Belo Horizonte. Na capital da região alterosa , Mazzaropi colheu os maiores louros de sua carreira de homem. De arte, tamanhas as demonstrações de simpatia que o jovem humorista lá recebeu. A noite de sua despedida valeu  por si só para consagrar ainda mais os méritos desse inimitável imitador. Todos os instantes daquela memorável noite foram gravados em disco e traduzem fielmente o quanto estima o bom povo mineiro que prestando tantas homenagens à Mazzaropi, também cumulou de satisfação ao povo de São Paulo. Deparamos com Amacio Mazzaropi,  o humorista nascido em São Paulo, lá nos Campos Eliseos, em plena Avenida São João e sabedores de seus últimos sucessos quisemos ouvi-lo acerca de vários assuntos. Sempre amável, o interprete mais perfeito do caipira brasileiro prontificou-se a falar com o jornalista de A ÉPOCA.

Então Mazzaropi, há quanto tempo está você na carreira – Nunca fiz outra coisa em minha vida… Nos Respondeu sorindo. Aguido sobre qual a função aducativa do rádio nos disse: – A função educativa do radio é imprescindível na época atual. Mesmo os programas considerados “pesados” , são educativos, pois eles habituam o ouvinte a seguir os programas e com isso ele passa a ouvir os programas de fundo cultural elevado.

Sobre  o humorista? – Acho que ela é uma necessidade assim como o é a musica, pois ambos penetram, através do radio em todos os lares, onde as famílias menos abastadas possuem neste a sua maior diversão. Aliás, prossegue ele, os artistas possuem na classe pobre os seus maiores amigos e admiradores que chegam a  se interessar pela vida do operario da arte, muitas vezes até mais que o pobre artista.

Como os leitores sabem, Mazzaropi fundou o “Teatro de Emergência”. Que percorreu com grande exito todo o interior do Estado além de ter tomado parte na “Cia DERCY CONÇALVES” e na “Cia. NINO NELO”. Possutu pavilhão teatro com o qual levou parte de sua vida. Ultimamente foi atraído pelo radio. Como resolveu você enfrentar o Microfone? – Para ser franco, responde o querido cômico foi pelo fato de poder aumentar o numero de meus ouvintes e felizmente parece que acertei. Tendo tomando parte na inauguração dos novos transmissores da Tupi carioca. ao lado de Paulo Gracindo, fiquei imensamente satisfeito com todos os amigos que lá no Rio deixei. Continuo no radio e no proximo dia 8 voltarei para a Tupi de São Paulo.

O repórter procura desviar um pouco o ritmo da conversa e pergunta qual é o escritor que Mazzaropi  prefere. De pronto ele nos cita: Machado de Assis.

E qual a sua diversão preferida? – Passeios, viagens… (não só- sinhô, mas acompanhado de lindas garotas)

E sobre o cinema nacional qual a sua opinião? – Para o cinema nacional faltam principalmente os capitalistas de que tanto ele necessita. Depois, creio que os diretores deveriam procurar pessoas com mais capacidade e mais aptas para o celuloide e não criaturas que desconhecem completamente o “metier”.

Mazzaropi poderia você dizer-me algo sobre o nosso teatro? – Posso: não existe…

E que tal o Sindicato de classe:  – Bom. Porem sou de opinião que os artistas devem preocupar-se em guardar alguma coisa para não acontecer a historia da cigarra…

Você poderia dizer-me algo do Imposto Sindical? – Há! Isso é São Borjá quem sabe…

Já que estávamos falando em Santos lembramo-nos de milagres e perguntamos qual a sua opinião sobre a politica brasileira: – Sou de opinião de que deveria haver mais patriotismo e menos interesse.

E sobre as “Memorias do Barreto Pinto” – Maliciosamente nos diz o simpático humorista: – Recebe ordens do macaco, ele quer gozar…

Alguma recordação de sua vida artística?  – Como lhe disse a maior acabo de ter agora em Belo Horizonte, onde atingi o máximo que poderia desejar.

Algum fato pitoresco? – Pois não  “Certa ocasião realizava um festival  beneficente no qual tomavam parte diversas moças da sociedade. Isso era num circo e acontece que precisamente na hora de iniciar o espetaculo desaba terrível tempestade e não ficou um só pau de pé . Era dever-se então a correria de moças e eu caracterizado de caipira em desabaladas carreiras pelas ruas, debaixo da tempestade”.

 

A Noite, 1944.