sucesso e critica

Seria artista se nascesse outra vez.

Noticias antigas acervo MuseuMazzaropi



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A Hora – 26-08-1952

MAZAROPI – O CAIPIRA-FILOSOFO! (19)
A ARTE E’ COMO UMA MULHER… – RECORDANDO A CARREIRA NO GRU-PO ONDE SE INICIARA COMO DECLAMADOR – APESAR DE TODAS AS PERI-PECIAS, AQUELA ERA A VIDA SONHADA

 

Mazaropi não poderia ter duvida alguma. Vencera também no cinema.  Não poderia atribuir o seu sucesso ao que já fizera no passado. Sugira como outro personagem. Sem coisa alguma de caipira. Era o chofer do “Anastacio” um caminhão do tempo do onça como muitos desses que existem por ai, nos pontos de aluguel. Teria. para tanto. que usar de seus dotes artísticos, deixando de lado a fama conseguida em tantos anos de exibição.  pela Capital e por esse interior afora.

Revelada aquela faceta de sua capacidade artística, outras propostas surgiram. Não poderia, agora. desligar-se com facilidade do cinema. O celulóide. o radio e a televisão prende-lo-iam, agora. como outrora o fizera o pavilhão. Era o ápice da trabalhosa car-reira   Poderia, então. volver os olhos para trás. para os velhos tempos em que sonhava com a ribalta. tendo que enfrentar a resolu-ção de Bernardo e Clara que, a todo custo. pretendiam tirá-lo da carreira. Lembra-se, como se fosse hoje. dos tempos de grupo. lá no largo São José do Belem, quando se re-velou declamador.

REVIVENDO

Voltar os olhos para trás era viver de no-vo toda aquela serie de fotos que marcaram sua vida. Voltamos, com Mazaropi para o vê-lho grupo. Mostro-nos, então. a fotogra-fia tirada há muitos anos, quando cursava o terceiro ano escolar. O papel está meio ma-relado pelo tempo. Mas trás a ele recordações preciosas  Retornando, sentou-se na mesma adeira, na mesma sala. A professora já não viria exigir-lhe a lição.  Mostrou, simples-mente, a diversidade de métodos de ensino. Ele aprendera o “b-a-bá”. Agora não é pré-ciso rezar, horas e horas, a combinação de letras para gravar no cerebro o seu som. Tu-do progrediu. Somente as festinhas continuaram, oferecendo meio aos meninos para demonstrar o talento que vem do berço. Mui-tos outros estão iniciando, agora, a carreira de Mazaropi. São os declamadores nas datas historicas. Serão, amanhã, adolescente tentando convencer a família a deixá-los entrar para o teatro. Encontrarão as mesmas peripécias.

 

 

FARIA TUDO OUTRA VEZ

 Dali Mazaropi deixou o espírito seguir para Taubaté, onde começara a tomar. deci-sivamente, gosto pela ribalta. Perguntamos-carreira, mudaria ou procuraria mudar o curso de sua existência:                                                                                    

         – Nunca. De forma alguma. Estou feliz assim… Não pretenderia nadar em mar de rosas. Se alguma dificuldade existiu, ficou como recordação.

E’ a velha resposta. Não se esquece uma mulher amada e infiel exatamente porque se tem a lembrança de suas traições, dos momentos difíceis atravessados na existência ao seu lado. Contraditoriamente, o coração hu-mano. apesar de procurar por uma felicidade distante, pretende-se mais á desventuras, aos sacrifícios que ficaram para trás. E o teatro, o radio o cinema, nada mais são que de mulhe-res  ás quais se devotam esses homens que nem sempre procuram a gloria. o nome, mas tão somente a satisfação do seu “eu”. a von-tade de pertencer aquele corpo sem dono, que é de todos e não é de nenguem. Não se sen-tem felizes sendo amados. mas em amar, com toda força, com toda a dedicação. Se al-guma coisa mais chegar, tanto melhor. Mas não é esperada, como raramente é esperada a retribuição a retribuição amorosa. O artista se dá inteiro á arte e, mesmo enganado. Não a troca por nada. No caso de Mazaropi, então. o caso é perdido. Ele faz parte dela. E seria artista, se nascesse outra vez. Noticia Jornal A hora Acervo Museu Mazzaropi