sucesso e critica

Você conhece Mazzaropi?




Você conhece Mazzaropi

 

Texto de Atila Rocha

 

Quem é Mazzaropi? Hão de forçosamente muito de vocês perguntarem ao vê-lo agora, no cinema.

Porém todo tele-ouvinte, ou mesmo, quem viajou pelo Brasil afora, já conhecia de nome êsse comediante. Também, os apreciadores do teatro popular, do barraco ambulante, como todos os espectadores de exibições em feiras livres, já ouviram falar nêle, ou melhor, já riram muito ouvindo-o em seus programas. Sim, porque essa é a arte de Mazzaropi. Êle é e sempre foi um cômico, um grande e irresistível inimigo dessa coisa real e terrível que é a sisudez, pois, desde menino combateu a tristeza.

Iniciou sua carreira como ajudante de faquir que era um engulidor de pregos e outras coisas sobrenaturais.

Mazzaropi andou com êle, uns bons pares de anos pelo interior do nosso país. Vida dura, vida cheia de espinhos matálicos, como sejam, camas de prego para o faquir, e comida escassa para tôda a sua “troupe”.

Enquanto o faquir fazia peripécias indianas, embasbacando os crédulos, Mazzaropi fazia a vez de ajudante de mágico ou coisa que valha. Êle servia para tudo. Também era preciso distrair os inquieto público  nos intervalos dos diversos números. Então, Mazzaropi descia para a platéia e desviava a atenção dos irriquietissimos espectadores, fazendo humor, contando anedotas. Havia ocasiões, em que vaiavam o faquir. Mas Mazzaropi estava sempre por cima. Êle jamais falhou. O público sempre foi conquistado por êle; comediante incomparável, mágico, poeta, espadachim, e ídolo de corações femininos.

No intervalo de uma filmagem de “Nadando em dinheiro”, onde êle novamente é ator principal, fomos encontrar Mazzaropi completamente atarefado, cansado das seguidas noites sem dormir, mesmo assim, não deixou de dar a máxima atenção a nós da imprensa.

Com a palavra, Mazzaropi:

– Em primeiro lugar, quero dizer que leio o “Jornal do Cinema” do princípio ao fim e do fim ao princípio, para ver se não perdi nada de bom e noticioso do cinema. Seu conteúdo é agradabilíssimo;  acho uma leitura obrigatória por parte de quantos se interessam realmente pelo nosso cinema.

Foi assim, que Mazzaropi iniciou a sua conversa para os nossos leitores.

– Mas Mazzaropi, como foi que você veio parar no cinema?

– Homem, – começou êle com seu sotaque de paulista caipirado, – Dizem que, estando eu atuando na T. V. em um de meus programas; a simpática Tonia Carrero, vendo-me, comunicou a Tom Payne e Abilio Pereira de Almeida, a sua impressão, os quais logo me deram um papel principal em “Sai da Frente”. “Sai da Frente” foi escrito especialmente para Mazzaropi protagonizar. Mas voltemos a nossa conversa.

 

 

Jornal de Cinema – 1951.