Projeto percorreu 14 municípios no primeiro semestre de 2026 e reuniu mais de 2.800 espectadores em ações que uniram cinema, memória e cultura popular brasileira
O legado de Amácio Mazzaropi continua atravessando gerações e chegando a diferentes regiões do Brasil. Nos seis primeiros meses de 2026, o projeto Cinema ao Ar Livre do Sesc PR levou sessões cinematográficas, exposições e atividades culturais a 14 municípios do Paraná, reunindo um público superior a 2.800 espectadores.

Realizada pelas unidades do Sesc Francisco Beltrão, Sesc Pato Branco e Sesc Nova Londrina, a iniciativa contou, entre suas ações, com exibições do filme Jecão, um Fofoqueiro no Céu, aproximando o público da obra de Mazzaropi e de um dos personagens mais marcantes de sua trajetória.
Além das sessões de cinema, a programação promoveu atividades de arte e educação com pessoas idosas atendidas pelo Sesc e contou com uma mostra de cartazes e imagens cedidos pelo Museu e Instituto Mazzaropi.

Mazzaropi como ponto de encontro entre gerações
Nas unidades do Sesc Francisco Beltrão e Sesc Pato Branco, os personagens de Jecão, um Fofoqueiro no Céu serviram de inspiração para trabalhos desenvolvidos com pessoas com 60 anos ou mais. As atividades resultaram em produções visuais marcadas por memórias, criatividade e muitas cores.
Em Francisco Beltrão, a exposição sobre Mazzaropi, cedida pelo Museu e Instituto Mazzaropi, acompanhou as cidades que receberam as sessões de Jecão, um Fofoqueiro no Céu. A proposta possibilitou ao público conhecer mais de perto a trajetória de Amácio Mazzaropi e a importância do personagem Jeca, interpretado pelo artista durante mais de duas décadas.
A iniciativa também mostrou como o cinema pode atuar como instrumento de preservação da memória e de valorização das histórias vividas por diferentes gerações.
Memórias que ganharam espaço na exposição
Em Nova Londrina, as ações ganharam um significado ainda mais afetivo. No mês de julho, o Sesc realizou uma atividade voltada à valorização das memórias das pessoas 60+ e à relação desse público com o cinema de Mazzaropi.
Os participantes foram convidados a registrar lembranças em folhas de caderno, que posteriormente passaram a integrar uma mostra visual. Também foram produzidos trabalhos em técnica de assemblagem, desenvolvidos sob orientação da orientadora de biblioteca Natasha Karen Fortunato.

As produções foram reunidas a objetos antigos relacionados à vida no interior e a imagens cedidas pelo Museu e Instituto Mazzaropi, formando uma exposição que conectou cinema, memória afetiva e cultura popular brasileira.
No dia 21 de julho, a exposição recebeu grupos de pessoas idosas dos municípios de Porto Rico e Nova Londrina. Depois da visita, os participantes acompanharam uma sessão especial de Jecão, um Fofoqueiro no Céu no cinema da unidade.
Na mesma noite, o filme foi exibido ao ar livre em Nova Londrina, reunindo mais de 120 pessoas. No dia 24 de julho, a produção voltou à tela, desta vez no município de Loanda.

“Cada objeto carregava uma história”
Para o gerente executivo do Sesc Nova Londrina, Marcos Aurélio Henrique de Oliveira, a iniciativa reforça o papel da instituição na valorização da cultura brasileira.
“O Sesc tem um papel fundamental na valorização da cultura brasileira, promovendo ações acessíveis e de qualidade para toda a comunidade. A mostra Mazzaropi é um exemplo marcante desse compromisso, ao resgatar e celebrar a obra de um dos maiores nomes do cinema nacional.”
A orientadora de atividades do Sesc Nova Londrina, Natasha Karen Fortunato, responsável pelas dinâmicas com os grupos, também destaca o envolvimento dos participantes.
“Nas oficinas com as pessoas idosas, compartilhamos conhecimentos sobre a trajetória de Amácio Mazzaropi e seus principais filmes, produzindo, em grupos, cartazes com sinopses, gêneros e colagens compostas por figuras impressas e recortes de revistas que representavam cenas das obras escolhidas. Foi emocionante acompanhar o envolvimento, a criatividade e a troca de experiências durante todo o processo. Elas amaram a atividade, e ver a satisfação e o entusiasmo de cada uma tornou essa vivência ainda mais especial.”
A analista do Sesc Nova Londrina, Edilaine de Carvalho Ferraz, responsável pelas ações na Unidade de Serviços, explica que a proposta foi criar uma experiência que ultrapassasse a exibição cinematográfica.
“Quando recebemos a proposta de realizar a mostra de Amácio Mazzaropi no Sesc Nova Londrina, pensamos em criar uma experiência que fosse além da exibição de filmes ao ar livre. Queríamos que a programação despertasse lembranças, emoções e fortalecesse o vínculo dos nossos clientes com a história e a cultura popular brasileira.”
Segundo Edilaine, o trabalho com os participantes revelou a força das memórias pessoais.
“Foi a partir dessa ideia que nasceu a atividade com o grupo de pessoas idosas da unidade. O resultado foi emocionante. Cada objeto carregava uma história, e cada relato revelava lembranças de um tempo vivido com carinho e saudade. O entusiasmo dos participantes e o brilho em seus olhos ao compartilharem suas memórias demonstraram a força que a cultura tem para conectar pessoas e preservar histórias.”
“Ver um pedacinho da minha história ali”
Para Neiva Giacomel Roman, participante do Grupo 60+ do Sesc Nova Londrina, participar da atividade foi uma oportunidade de reencontrar lembranças importantes de sua trajetória.
“Participar das atividades foi muito especial para mim. Cada momento trouxe de volta muitas lembranças da minha infância e da minha juventude. Foi uma alegria relembrar tantas histórias e compartilhar essas memórias com outras pessoas.
Fiquei muito feliz por poder trazer um objeto que faz parte da minha vida para a mostra do Mazzaropi. Ver um pedacinho da minha história ali, junto com tantas outras, foi muito emocionante.
O Sesc é muito importante para mim. Aqui encontro acolhimento, faço amizades, aprendo coisas novas e tenho a oportunidade de participar de atividades que deixam meus dias mais felizes. Sou muito grata por fazer parte de tudo isso.”
O depoimento de Neiva traduz uma das características marcantes da obra de Mazzaropi: a capacidade de despertar lembranças e estabelecer uma conexão afetiva com o público. Seus personagens, histórias e retratos do cotidiano brasileiro permanecem presentes na memória de diferentes gerações.
“É uma forma de fazer com que seu legado continue chegando a diferentes lugares”
Para Verônica Ferreira, representante do Instituto e Museu Mazzaropi e pesquisadora da trajetória de Mazzaropi, a parceria com o Sesc PR representa uma oportunidade especial de levar o legado do artista a novos públicos.
“A parceria com o Sesc PR é algo incrível. Poder estender as histórias de Mazzaropi por meio de uma instituição tão importante é muito gratificante para nós. É uma forma de fazer com que seu legado continue chegando a diferentes lugares e, principalmente, a diferentes gerações.
Receber os depoimentos de pessoas que tiveram a oportunidade de vivenciar o cinema de Mazzaropi e que hoje compartilham essas lembranças com carinho e alegria é algo muito especial. São histórias que mostram que o cinema do Mazzaropi continua vivo na memória e no coração das pessoas.
É justamente nesses momentos que percebemos o quanto todo o trabalho de preservação, pesquisa e divulgação realizado pelo Instituto Mazzaropi vale a pena. Saber que podemos contribuir para que essas memórias continuem sendo vividas e compartilhadas nos emociona e nos motiva a seguir levando Mazzaropi cada vez mais longe.”
A itinerância continua
O projeto Cinema ao Ar Livre segue sua itinerância pelo Paraná. Novas exibições serão realizadas pelas unidades do Sesc Centro, em Curitiba; Sesc São José dos Pinhais, em municípios da Região Metropolitana; Sesc Apucarana; e Sesc Campo Mourão.
A programação também contará com novas ações promovidas pelas Unidades de Serviços de Pato Branco e Nova Londrina.
Para Edson Godinho, analista de Ação Social responsável pelo projeto Cinema ao Ar Livre do Sesc Paraná, levar o cinema para espaços públicos amplia a experiência de assistir a uma obra cinematográfica e permite que ela seja compartilhada por diferentes comunidades.
“O cinema ocupa um lugar mágico na vida das pessoas. Assistir às nossas histórias na tela grande é uma importante manifestação cultural em diferentes lugares do mundo. A experiência ganha ainda mais significado quando compartilhada em praça pública. Até o momento, chegamos a 130 municípios do Paraná, mas nosso objetivo é alcançar os 399 municípios do estado.”
A presença de Mazzaropi nessa trajetória reforça a permanência de sua obra no imaginário brasileiro. Décadas depois de seus filmes chegarem às telas, o Jeca continua encontrando novos públicos e criando pontes entre passado e presente por meio do cinema, das histórias e das memórias de quem cresceu acompanhando o artista.
A participação do Museu e Instituto Mazzaropi nesse projeto contribui para que fotografias, cartazes e referências da trajetória do artista continuem circulando e encontrando novas comunidades, mantendo viva a memória de um dos grandes nomes da história do cinema brasileiro.





